Aprendendo com Georgette
A difícil tarefa dos treinadores
Fiquei observando como a imprensa tratou nosso atleta da Seleção brasileira de Futebol, “Ronaldo Fenômeno”. Não pude deixar de comparar com atletas da Ginástica Olímpica que eu preparei para competições do nível de uma Copa do Mundo de Futebol, e que também sofreram, aliás, sofremos as mesmas dificuldades.
Primeiro, nosso povo e principalmente a imprensa, esquece que um talento no esporte não nasce todos os dias, e um, como Ronaldo, muito menos. Claro que na Seleção temos excelentes atletas, mas, para substituí-lo, é necessário muito mais do que isso.
O Parreira foi corajoso e competente. Ronaldo precisava jogar, primeiro para perder peso, segundo para não perder o condicionamento físico e terceiro, para mim mais importante, a parte psicológica. Caso ele tivesse ficado no banco, teríamos perdido o “Fenômeno” para a competição. Certamente a equipe técnica debateu o assunto e resolveu ir contra a pressão contrária de todos. Graças a Deus!
Assim também acontece no nosso esporte, uma ou um ginasta talentoso e campeão precisa ser estimulado a manter seu preparo físico e seu peso. Não é um caminho fácil. Temos como treinadores, de sermos às vezes mágicos, mas com sensibilidade e estratégia, e por muitas vezes, com a ajuda de um psicólogo, conseguirmos bons resultados. Há que se respeitar um ou uma campeã. Não é fácil ser um dos melhores do mundo, não esqueçam disto...é do “Mundo” !
Quando dei ao Brasil a primeira medalha mundial com Daniele Hypólito, Prata no Solo, em Ghent, Bélgica 2001, fiquei alguns dias pensando que no Mundo, minha ginasta era a segunda melhor no Solo e individualmente, no Geral, era a quarta melhor. É claro que a ficha demorou a cair, parecia algo que eu não podia conquistar, afinal era brasileira, sem apoio do meu País para o esporte (já não é mais assim) e tudo mais. Enfim, usei de muita estratégia para obter aquela medalha e deu tudo certo.
Para estar entre os melhores do Mundo como treinador é necessário conhecimento, coragem e ousadia. Por isso, é que tiro o meu chapéu para treinadores como foi o Parreira neste jogo. Independente do final, por essa ele merece minha profunda admiração.
Na próxima vamos voltar a falar um pouco mais de técnica propriamente dita.
Um abraço,
Georgette Vidor

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Georgette Vidor
Rio de Janeiro RJ, Brasil
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